JORNADA
DA ALMA
O filme conta a história de uma
estudante de descendência russa que decidiu investigar a vida de Sabina
Spielrein, uma mulher que foi injustiçada pela história.
Internada por seus pais em 1904 em um sanatório em Zurique,
começou a ser tratada a título de experiência pelo método (na época
chamado de alternativo) que estava sendo testado por Dr. JUNG, discípulo de
Freud.
Ela apresentava sinais de loucura há um ano desde que sua
irmã caçula faleceu de pneumonia.
O tratamento teve muito êxito
porque a paciente percebeu que era amada. E de fato foi, já que a relação
médico – paciente extrapolou o consultório e transformou-se em um tórrido caso
de amor.
Pelo bem de ambos, cada um seguiu seu caminho, mas pareciam
ainda estar ligados, mesmo que a distância, pelo amor. Além disso,
durante o tratamento, como forma de ganhar a sua confiança, Jung deu a Sabina
uma pedra dizendo que aquela era a sua alma. Então, Sabina passou a ser a
eterna guardiã de sua alma. Os dois também se correspondiam com frequência.
Ela casou-se, teve uma filha e, a
conselho do próprio JUNG, estudou psicologia e especializou-se em psicoterapia.
Ela defendia o método de educação de crianças com muita criatividade e
liberdade, acreditando nos amplos reflexos desta abordagem na vida adulta. Ela
teve oportunidade de adotar seu método em uma escola infantil, sediada em
Moscou, conhecida como “The White Nursery”. O nome é fruto da mobília, toda
pintada de branco.
Um de seus alunos era
extremamente violento. Anos mais trade descobriu-se que era o filho de Stalin
que havia sido matriculado com nome falso. Durante o governo ditador de Stalin,
seus métodos liberais começaram a não ser bem vistos e, sem submeter-se às
regras impostas, viu a White Nursery ser totalmente destruída.
Alguns anos mais tarde, quando a
Alemanha invadiu a Rússia durante a Segunda Guerra Mundial, fugiu com a família
para Rostov com a esperança de que os nazistas não chegassem até lá. Mas não
houve escapatória. Como era de se esperar, os nazistas chegaram até lá e não só
ela, como todos os judeus foram exterminados dentro da sua própria sinagoga.
Antes disso, Sabina colocou seu diário dentro de um compartimento de um dos
bancos da igreja. E, foi exatamente este diário que elucidou toda a sua
trajetória.
Além dele, o único sobrevivente
entre seus alunos na White Nursery, também pode testemunhar os efeitos de seu
trabalho. Ele mesmo era um menino que se mantinha alheio a tudo e sempre
sentava-se embaixo das mesas com as mãos entrelaçadas com muita força, sem nunca
sorrir. Não é preciso dizer muito mais do que, com 84 anos na época em que o
filme foi feito, na sua cabeceira ele mantinha o retrato de Sabina, como forma
de agradecer e sempre lembrar daquela que transformou a sua vida.
Por Iracema Medeiros.

Nenhum comentário:
Postar um comentário