segunda-feira, 17 de setembro de 2012


                 JORNADA DA ALMA


 

O filme conta a história de uma estudante de descendência russa que decidiu investigar a vida de Sabina Spielrein, uma mulher que foi injustiçada pela história.
Internada por seus pais em 1904 em um sanatório em Zurique, começou a ser tratada a título de experiência pelo  método (na época chamado de alternativo) que estava sendo testado por Dr. JUNG, discípulo de Freud.
Ela apresentava sinais de loucura há um ano desde que sua irmã caçula faleceu de pneumonia.
O tratamento teve muito êxito porque a paciente percebeu que era amada. E de fato foi, já que a relação médico – paciente extrapolou o consultório e transformou-se em um tórrido caso de amor.
Pelo bem de ambos, cada um seguiu seu caminho, mas pareciam ainda estar ligados, mesmo que a distância, pelo amor.  Além disso, durante o tratamento, como forma de ganhar a sua confiança, Jung deu a Sabina uma pedra dizendo que aquela era a sua alma. Então, Sabina passou a ser a eterna guardiã de sua alma. Os dois também se correspondiam com frequência.
Ela casou-se, teve uma filha e, a conselho do próprio JUNG, estudou psicologia e especializou-se em psicoterapia. Ela defendia o método de educação de crianças com muita criatividade e liberdade, acreditando nos amplos reflexos desta abordagem na vida adulta. Ela teve oportunidade de adotar seu método em uma escola infantil, sediada em Moscou, conhecida como “The White Nursery”. O nome é fruto da mobília, toda pintada de branco.
Um de seus alunos era extremamente violento. Anos mais trade descobriu-se que era o filho de Stalin que havia sido matriculado com nome falso. Durante o governo ditador de Stalin, seus métodos liberais começaram a não ser bem vistos e, sem submeter-se às regras impostas, viu a White Nursery ser totalmente destruída.
Alguns anos mais tarde, quando a Alemanha invadiu a Rússia durante a Segunda Guerra Mundial, fugiu com a família para Rostov com a esperança de que os nazistas não chegassem até lá. Mas não houve escapatória. Como era de se esperar, os nazistas chegaram até lá e não só ela, como todos os judeus foram exterminados dentro da sua própria sinagoga. Antes disso, Sabina colocou seu diário dentro de um compartimento de um dos bancos da igreja. E, foi exatamente este diário que elucidou toda a sua trajetória.
Além dele, o único sobrevivente entre seus alunos na White Nursery, também pode testemunhar os efeitos de seu trabalho. Ele mesmo era um menino que se mantinha alheio a tudo e sempre sentava-se embaixo das mesas com as mãos entrelaçadas com muita força, sem nunca sorrir. Não é preciso dizer muito mais do que, com 84 anos na época em que o filme foi feito, na sua cabeceira ele mantinha o retrato de Sabina, como forma de agradecer e sempre lembrar daquela que transformou a sua vida.
 
Por Iracema Medeiros.

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